10.25.2009

Argumentum e Silentio

Seria muito bonito se o meu silêncio correspondesse a uma necessidade interna de silêncio, mas não é isso que acontece. As pessoas (pelo menos na sociedade portuguesa) não reagem muito bem ao silêncio, e isso é algo que vamos aprendendo com o crescimento. Entre outras coisas, o silêncio é encarado como um sinal de imaturidade. Na verdade, não pode haver argumentum e silentio, a não ser em casos muito especiais. O mais frequente é o silêncio acontecer pelas piores razões (quando não sabemos a resposta a uma pergunta e não queremos mostrar a nossa ignorância, por exemplo). Bom, é claro que essa é também uma forma comunicativa de usar o silêncio, mas eu gostaria mais que o usássemos em outros contextos. É pena que o silêncio esteja mais conotado com a falta de interesse e com o embaraço do que com a cumplicidade, por exemplo. Mesmo quando implica cumplicidade, o silêncio é encarado de um modo negativo, e a epítome desse sentimento é o provérbio (muito popular em Portugal, não sei se assim tão popular no Brasil) "quem cala consente".

Quanto ao facto de eu às vezes parecer cansado ou pouco cooperativo, isso deve-se provavelmente a o meu output social ser inconstante e desajeitado (é a melhor tradução que me ocorre para o tal adjectivo awkward). É também por isso que eu gosto de escrever, porque aqui posso ser constante e elaborado, seguindo um fio de pensamento mais livre e transparente. Feliz ou infelizmente, parece que estas características estão associadas ao meu nome.

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